Referência do mercado brasileiro

A classificação setorial da B3, explicada

Como a B3 agrupa as companhias listadas em setores econômicos, quantas companhias há em cada um, e por que o setor sozinho não basta para acompanhar um tema como agronegócio ou M&A.

A estrutura

A B3, a bolsa brasileira, agrupa as companhias listadas pela atividade econômica: pelo que a companhia faz de forma predominante, e quem são os clientes, e não pelo tamanho ou pela participação num índice. O agrupamento vai do setor econômico amplo até subsetor e segmento.

No nível mais alto há 10 setores. O nosso catálogo mapeia 346 companhias listadas entre eles:

Petróleo, Gás e Biocombustíveis: 13 companhias.

Materiais Básicos: 31 companhias.

Bens Industriais: 50 companhias.

Consumo Não-Cíclico: 25 companhias.

Consumo Cíclico: 89 companhias.

Financeiro: 51 companhias.

Utilidade Pública: 43 companhias.

Saúde: 22 companhias.

Tecnologia da Informação: 15 companhias.

Comunicações: 7 companhias.

A concentração é a primeira coisa que vale notar. Consumo cíclico, financeiro e bens industriais, juntos, reúnem mais companhias listadas do que a maior parte dos setores restantes somados. É um fato sobre o mercado brasileiro, não sobre a classificação.

Por que o setor sozinho não basta

Setor responde “o que esta companhia faz?”. Não responde “sobre o que é esta notícia?”, e para um investidor as duas coisas divergem o tempo todo.

O agronegócio é o caso mais claro. Uma produtora de fertilizantes está em materiais básicos, uma trading de grãos em consumo não cíclico, a ferrovia que escoa a safra em bens industriais, e o banco que financia a lavoura no financeiro. Quatro setores, um tema. Quem acompanha o agronegócio brasileiro só pelo setor lê quase o mercado inteiro para achar o que procura.

O mesmo vale para tudo o que é regulatório. Uma decisão de tarifa do regulador de energia elétrica cai em utilidade pública, mas o motivo de ela importar pode ser uma companhia de outro setor, que compra essa energia.

A camada que a gente acrescenta

Essa lacuna é o motivo de rodarmos 6 verticais temáticas ao lado dos 10 setores: macro e política fiscal, agronegócio, energia e ESG, mercado de capitais e M&A, jurídico e regulatório, e fundos de investimento, incluindo os FIIs.

Essas são nossas, não da B3. A classificação setorial pertence à bolsa e é um fato sobre a companhia; as verticais são uma camada editorial e são uma leitura sobre a notícia. Manter as duas separadas importa, porque só uma delas tem autoridade.

Um mesmo protocolo pode cair numa, na outra ou nas duas: o fato relevante de uma produtora de fertilizantes é materiais básicos pelo setor e agronegócio pelo tema, e quem acompanha qualquer um dos dois deve vê-lo.

Onde conferir

A B3 publica a classificação e as listas de composição no próprio site, e as revisa quando companhias mudam de atividade, passam a ser listadas ou deixam a bolsa. Qualquer mapa de terceiro, o nosso inclusive, é um retrato do mapa da bolsa e deve ser conferido com ele quando a precisão importa. O número de companhias nesta página sai do nosso catálogo, não de uma estimativa.

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